Todos anos, a seguradora alemã Allianz divulga seu relatório global com uma pesquisa bastante completa sobre quanto, em média, o cidadão de cada pais tem economizado em ativos financeiros e o quanto ele tem de dívidas, calculando assim o patrimônio financeiro de cada um. Ou seja, à grosso modo, a pesquisa divulga em quais países no mundo estão as pessoas que mais economizam, as que mais se endividam e as que mais gastam!
E dessa pesquisa é possível tirar vários dados interessantes. Claro que existem algumas obviedades, como o fato de que os 3 países onde, em média as pessoas tem mais dinheiro guardado são Suíca (138.062 Euros per capita), Japão (93.087 Euros per capita) e EUA (90.417), ou que os que estão na parte mais baixa do ranking, que conta com 70 países, são a India (643 Euros per capita), Cazaquistão e Indonésia (com 539 e 467 Euros por pessoa de patrimônio financeiro respectivamente).
Algumas curiosidades que cheguei:
Os brasileiros até tem um patrimônio bruto financeiro considerável (6545 euros per capita), o que o coloca na categoria de cidadão de média riqueza, porém ele também tem um passivo financeiro considerável (galera anda se endividando rápido pelo jeito), já que seu líquido financeiro é de apenas 2981 euros per capita.
No entanto, ainda assim estamos muito acima dos hermanos argentinos, que possuem um patrimônio liquido financeiro de apenas 1167 dólares. Em partes isto deve ser explicado pelo fato que a pesquisa considera apenas aplicações financeiras, e é de se imaginar que muitos argentinos, dada a altíssima inflação e taxação do país, preferem deixar seu dinheiro em ativos como imóveis ou até mesmo debaixo do colchão!
Se for ponderar pela renda per capita, os israelenses estão entre os que mais economizam no mundo (espaço para piadas totalmente oportunas), pois eles possuem, em média, quase 27 meses de salário aplicados no banco, em ações e afins!
Enquanto isso, os neo-zelandeses parecem não gostar muito de economizar, já que eles tem menos de 2 meses de salário reservados para uma eventual emergência (mesmo tendo uma renda 3 vezes maior que a brasileira, eles possuem menos dinheiro que nós!). Mas claro, economizar em um lugar com tantas belezas naturais, praias paradisíacas e coisas divertidas deve mesmo ser difícil. Bastante compreensível, colegas Kiwis.
Os países do BRIC estiveram entre aqueles onde o patrimônio financeiro da população mais subiu. No Brasil, 12,7% de alta no último ano. Rússia, India e China tiveram crescimentos de 17,9%, 18,1% e 7% respectivamente. Em contraste, o patrimônio dos espanhóis caiu 3,5%, o dos portugueses diminuiu 3,3% e o dos italianos variou -3,1%. Pelo jeito, logo logo algumas da mansões em Ibiza ou na riviera italiana serão de cidadãos de países emergentes.
O Relatório é realmente sensacional. Existe até um levantamento sobre EM QUÊ os cidadãos desses paises aplicam seu dinheiro. Mas isso fica para a próxima postagem. Aguardem!
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quinta-feira, 20 de setembro de 2012
Alguns fatos curiosos do Allianz Global Wealth Report
quinta-feira, 26 de julho de 2012
The Swan Song - Schubert, Merton e a Dívida Européia
A última obra do músico alemão Franz Schubert é conhecida como "A Canção do Cisne", pois, tal qual a lenda (negada por Plínio já na Roma Antiga) que diz que antes da morte, o Cisne Branco canta sua única e última canção, padecendo logo em seguida, Schubert também a divulgou pouco antes de sua morte.
Esta semana, li um report divulgado pelo jornal francês Le Figaro (recomendadíssimo, por sinal), chamado "Regards européens sur la crise de la dette", onde são divulgadas várias pesquisas populares sobre o que a população desses países acham, atualmente, sobre o futuro de suas economias e sobre qual estágio se encontram na crise (se vai melhorar, piorar ou ficar na mesma no futuro próximo). Caso queiram ver, está no link: http://www.lefigaro.fr/assets/pdf/Ifop-Fiducial-Figaro-europecrise.pdf.
Na página 6 é possível ver a evolução da opinião dos pesquisados ao longo dos últimos semestres, e se torna nítido o crescimento do pessimismo em todos os 3 países (França, Alemanha e Itália). Em Novembro de 2009, 22% dos franceses acreditavam em uma melhora da crise. Hoje, esse percentual é de apenas 9%. O resultado da pesquisa na Itália e Alemanha também mostra uma piora semelhante.
Muitos podem questionar o que realmente importa para a economia a opinião de pessoas como estudantes, professores de ensino fundamental ou donas de casa. Oras, eles são os consumidores! Em última instância, são essas pessoas, que movem uma economia de trocas, que podem empurrar morro abaixo a bola de neve de uma crise.
Robert Merton, um dos mais importantes sociólogos do século XX cunhou o termo "profecia auto-realizável", para explicar como as corridas aos bancos, em momentos de grande incerteza onde a população começa a entrar em uma histeria de saques de suas contas correntes (ao pensarem que seus bancos podem estar com a saúde comprometida), pode desencadear uma crise de facto (que até então não existia ou estava em proporções muito menores) ao diminuir a liquidez do sistema financeiro, restringir o crédito e assim diminuir os recursos disponíveis para o setor produtivo se sustentar. E, fazendo assim surgir um problema REAL.
A situação atual não se trata de uma corrida aos bancos (ainda?), mas também pode ser usado o termo criado por Merton. A Incerteza mostrada no artigo do Le Figaro pode, em algum momento (se é que isto já não está acontecendo), ocasionar uma sensação nos consumidores de que é melhor neste momento poupar dinheiro ao invés de gastar. E assim, a indústria e o comércio passam a sofrer com a falta de recursos, tendo de reduzir a produção, fechar fábricas, gerando desemprego. Eis que então, talvez, possamos ter um problema real.
O Pessimismo da população, nesse caso, é uma triste e alarmante canção do cisne.
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quarta-feira, 5 de outubro de 2011
Percepção de valor do dinheiro por uma criança (OU por um ministro grego).

Quando criança (lá pelos menos 7 anos), quando ainda morava em Bebedouro, meus pais as vezes traziam eu e minha irmã para passear aos domingos aqui em Ribeirão Preto. No Ribeirão Shopping havia um parque de brinquedos semi-eletrônicos (substituídos depois por esses eletrônicos modernos) chamado "Divertilândia".
Um dos preferidos de mim e da minha irmã era um que era uma mesa com alguns buracos, e algumas "baratas" saiam de dentro desse buraco, e você tinha que acertá-las com a mão (ou sei lá qual artefato a pessoa quisesse usar).
Quanto mais você acertava as baratas com a mão, mais bilhetes saiam na lateral do brinquedo, que depois poderiam ser trocados por brindes na loja da Divertilândia. O Mesmo valia para o brinquedo em que surgiam alvos e você tinha que acertá-los com uma pistola de água.
Para usar cada brinquedo, se pagava na época algo em torno de 2 reais. A Quantidade de bilhetes emitidos após jogar uma vez, com uma boa perfomance, era o suficiente para trocar por um lápis. Se você jogasse duas vezes, poderia até pegar uma caneta.
Imagino o que meus pais pensavam quando eu ia lá, com todo orgulho, trocar os bilhetes que havia ganhado após jogar 2 vezes (4 reais gastos) por uma caneta que valia 50 centavos...
Mas claro, como eram meus pais que pagavam pra eu jogar no brinquedo, eu não percebia que aquilo era um péssimo negócio (eles nem eram tão divertidos, e davam um cansaço enorme, a gente só jogava mesmo porque achava que "ganhava" algo).
Afinal, quando não é você que paga a conta, qualquer coisa que vier para você é lucro, certo? Você pode agir com a responsabilidade de uma criança se vai ter alguém pra te bancar!!!
Essa historinha acima, à mon avis, serve muito bem para todos aqueles que acham lindo quando Alemanha, França e afins concedem generosos pacotes de ajuda para a galerinha que tá no Serasa (Grécia, Portugal, etc).
Se eles estão na situação que estão, é porque não tiveram muita responsabilidade com o PRÓPRIO dinheiro. Como podem esperar que vão ser ainda mais responsáveis com o dinheiro dos outros?
Certo estão os contribuintes alemães que reclamam dos consecutivos pacotes de dinheiro público (deles) desperdiçados em compras de títulos do governo grego só para ajudar os helênicos.

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terça-feira, 23 de agosto de 2011
Minhas (obtusas) impressões do velho continente
Depois desta parada (alívio para mim e para vocês) de mais de 2 meses sem postagem, volto aqui com algumas novas impressões sobre a Europa, bastante pertinentes em um momento onde parte do velho continente parece implodir economicamente.
(Mas já adianto que não fiquei muito tempo lá pensando na economia global, afinal, estava lá para fazer trabalho voluntário na Polônia nas primeiras 7 semanas e nos últimos 10 dias para um momento de fêtes et vacances em Londres e Ibiza)
1 - A Polônia se deu muito bem não entrando na zona do Euro (embora essa não-entrada não tenha sido por vontade dela, e sim pelas regras que a impediram de entrar). Hoje ela possui uma moeda razoavelmente estável e tem controle sobre sua própria política monetária, coisa que não podemos dizer sobre Espanha, Portugal, etc.
2 - A tal frieza européia que tanto dizem, como meu primo que mora em Londres também concordou, não passa de uma lenda feita por algum brasileiro que ficou remoído. Em sua maioria, os que eu conheci era simpáticos e educados, somente se preservavam mais do contato físico em cumprimentos e afins (coisa que brasileiro adora e algumas vezes soa até hipócrita).
3 - As empresas alemãs são as mais presentes no cotidiano dos poloneses. Desde a infinidade de carros Mercedes-Benz e Audi até o supermercado Lidl (que está em todo lugar)
4 - Os Turistas Ingleses e Alemães continuam gastões. Já o número de turistas Italianos e Espanhóis nas Ilhas Baleares parece ter diminuído bastante. Me lembra muito o que aconteceu em Balneário Camboriú quando os turistas argentinos que antes lotavam aquelas bandas sumiram durante a crise que afligiu os hermanos na década passada.
5 - A Estrutura que Londres está montando pras Olímpiadas de 2012 é algo sensacional, principalmente no que se refere ao já eficiente (porém caro) sistema de metrô deles. Guardadas as proporções, também me surpreendeu a estrutura da Polônia (aeroportos e estádios) para a Eurocopa de 2012. Enquanto isso nossa preparação pra Copa do Mundo 2014 e Olímpiadas de 2016....
6 - Se um dia tiverem a chance de, durante um tempo, sair de seu trabalho no mundo corporativo (supondo que quase todo mundo que lê esse blog esteja nesse meio) e ficar um tempo trabalhando voluntariamente com crianças, em qualquer lugar do mundo, faça-o. É íncrivel o tanto que se adiciona em conhecimento sobre as pessoas, relações sociais e sobre você mesmo.
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