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sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Sem Explicações tão rápidas.. E olha só o PMI da zona do Euro

Em uma coluna publicada em julho pelo quase-sempre brilhante Stephen Kanitz, um trecho me chamou bastante atenção:

"O ser humano quer ter uma explicação rápida aos fenômenos que não entendem.

Ninguém quer ficar na dúvida, todos nós precisamos avaliar rapidamente situações 'estranhas'."

Kanitz escreveu esse trecho ao falar sobre o simplismo das respostas que o jornalismo econômico busca fornecer para os complexos problemas financeiros existentes.

Frases como "Tudo isso está acontecendo por causa de X" ou então "A solução para isto é somente fazer Y" quase sempre são produtos de uma simplificação exagera e patética da intrincada situação dos mercados mundiais.


A última modinha é falar que "A Culpa é de Wall Street". Quer coisa mais vaga e obtusa do que isto? A Culpa é de quem? Dos banqueiros? Dos corretores? Dos moradores da rua Wall ou dos encanadores dos prédios que ficam lá?

O Homem não gosta de ficar em dúvida. Porém neste caso, ficar em dúvida e refutar justificativas simples ajuda a pensar melhor no assunto.


O gráfico acima mostra a evolução do PMI da zona do Euro (Indicador do ambiente de negócios feito pela consultoria global Markit e bastante acompanhado pelas instituições financeiras) e compara com o PIB da mesma região. Este índice costuma antecipar, de certa forma, a evolução do produto interno bruto dos países, como é possível constatar também pelo gráfico.

Na última semana foi divulgado o PMI da Eurozone no último trimestre, apresentando uma queda vertiginosa e tão acentuada quanto as ocorridas durante a crise de 2008.

O Que nos espera para as próximas divulgações de PIB? Acredito que se manter muito otimista em um cenário como este é pedir pra ser pego de calças curtas (ou até mesmo sem calças).

Só sei que aos poucos, as respostas e soluções simplistas vão caindo por terra conforme até mesmo os jornalistas passam a perceber que o problema é bem, bem mais complexo do que parece ser quando visto superficialmente.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Percepção de valor do dinheiro por uma criança (OU por um ministro grego).


Quando criança (lá pelos menos 7 anos), quando ainda morava em Bebedouro, meus pais as vezes traziam eu e minha irmã para passear aos domingos aqui em Ribeirão Preto. No Ribeirão Shopping havia um parque de brinquedos semi-eletrônicos (substituídos depois por esses eletrônicos modernos) chamado "Divertilândia".

Um dos preferidos de mim e da minha irmã era um que era uma mesa com alguns buracos, e algumas "baratas" saiam de dentro desse buraco, e você tinha que acertá-las com a mão (ou sei lá qual artefato a pessoa quisesse usar).

Quanto mais você acertava as baratas com a mão, mais bilhetes saiam na lateral do brinquedo, que depois poderiam ser trocados por brindes na loja da Divertilândia. O Mesmo valia para o brinquedo em que surgiam alvos e você tinha que acertá-los com uma pistola de água.


Para usar cada brinquedo, se pagava na época algo em torno de 2 reais. A Quantidade de bilhetes emitidos após jogar uma vez, com uma boa perfomance, era o suficiente para trocar por um lápis. Se você jogasse duas vezes, poderia até pegar uma caneta.

Imagino o que meus pais pensavam quando eu ia lá, com todo orgulho, trocar os bilhetes que havia ganhado após jogar 2 vezes (4 reais gastos) por uma caneta que valia 50 centavos...

Mas claro, como eram meus pais que pagavam pra eu jogar no brinquedo, eu não percebia que aquilo era um péssimo negócio (eles nem eram tão divertidos, e davam um cansaço enorme, a gente só jogava mesmo porque achava que "ganhava" algo).

Afinal, quando não é você que paga a conta, qualquer coisa que vier para você é lucro, certo? Você pode agir com a responsabilidade de uma criança se vai ter alguém pra te bancar!!!


Essa historinha acima, à mon avis, serve muito bem para todos aqueles que acham lindo quando Alemanha, França e afins concedem generosos pacotes de ajuda para a galerinha que tá no Serasa (Grécia, Portugal, etc).


Se eles estão na situação que estão, é porque não tiveram muita responsabilidade com o PRÓPRIO dinheiro. Como podem esperar que vão ser ainda mais responsáveis com o dinheiro dos outros?

Certo estão os contribuintes alemães que reclamam dos consecutivos pacotes de dinheiro público (deles) desperdiçados em compras de títulos do governo grego só para ajudar os helênicos.



terça-feira, 23 de agosto de 2011

Minhas (obtusas) impressões do velho continente

Depois desta parada (alívio para mim e para vocês) de mais de 2 meses sem postagem, volto aqui com algumas novas impressões sobre a Europa, bastante pertinentes em um momento onde parte do velho continente parece implodir economicamente.

(Mas já adianto que não fiquei muito tempo lá pensando na economia global, afinal, estava lá para fazer trabalho voluntário na Polônia nas primeiras 7 semanas e nos últimos 10 dias para um momento de fêtes et vacances em Londres e Ibiza)

1 - A Polônia se deu muito bem não entrando na zona do Euro (embora essa não-entrada não tenha sido por vontade dela, e sim pelas regras que a impediram de entrar). Hoje ela possui uma moeda razoavelmente estável e tem controle sobre sua própria política monetária, coisa que não podemos dizer sobre Espanha, Portugal, etc.

2 - A tal frieza européia que tanto dizem, como meu primo que mora em Londres também concordou, não passa de uma lenda feita por algum brasileiro que ficou remoído. Em sua maioria, os que eu conheci era simpáticos e educados, somente se preservavam mais do contato físico em cumprimentos e afins (coisa que brasileiro adora e algumas vezes soa até hipócrita).

3 - As empresas alemãs são as mais presentes no cotidiano dos poloneses. Desde a infinidade de carros Mercedes-Benz e Audi até o supermercado Lidl (que está em todo lugar)

4 - Os Turistas Ingleses e Alemães continuam gastões. Já o número de turistas Italianos e Espanhóis nas Ilhas Baleares parece ter diminuído bastante. Me lembra muito o que aconteceu em Balneário Camboriú quando os turistas argentinos que antes lotavam aquelas bandas sumiram durante a crise que afligiu os hermanos na década passada.

5 - A Estrutura que Londres está montando pras Olímpiadas de 2012 é algo sensacional, principalmente no que se refere ao já eficiente (porém caro) sistema de metrô deles. Guardadas as proporções, também me surpreendeu a estrutura da Polônia (aeroportos e estádios) para a Eurocopa de 2012. Enquanto isso nossa preparação pra Copa do Mundo 2014 e Olímpiadas de 2016....

6 - Se um dia tiverem a chance de, durante um tempo, sair de seu trabalho no mundo corporativo (supondo que quase todo mundo que lê esse blog esteja nesse meio) e ficar um tempo trabalhando voluntariamente com crianças, em qualquer lugar do mundo, faça-o. É íncrivel o tanto que se adiciona em conhecimento sobre as pessoas, relações sociais e sobre você mesmo.