domingo, 22 de janeiro de 2012

Saiba um pouco mais sobre a nova presidente da Petrobrás

Como já noticiado por algumas fontes, em breve a maior estatal do Brasil e uma das duas maiores empresas do país irá trocar de Presidente, saindo do cargo o professor José Sérgio Gabrielli.

De acordo com o líder do PT na Câmara dos Deputados, Paulo Teixeira, quem irá assumir o cargo será Maria das Graças Foster.







Conheça um pouco mais sobre ela abaixo:

MARIA DAS GRAÇAS FOSTER = funcionária de carreira da Petrobrás e bastante próxima de DIlma, trabalharam juntas quando Dilma era secretária de Energia do Rio Grande do Sul. As duas cuidaram do Gasoduto Bolívia-Brasil (Gasbol) – negócio que envolveu BP e Shell. Casada com Colin Vaughan Foster.

E quem seria Colin Vaughan Foster?


COLIN VAUGHAN FOSTER
= marido da MARIA DAS GRAÇAS FOSTER, dono da C Foster Serviços e Equipamentos, empresário que já recebeu 614 milhões de Reais em 43 contratos com a Petrobrás.


"...Empresário que já recebeu 614 Milhões de Reais em 43 contratos com a Petrobrás".

E agora com a empresa na mão da esposa, vai receber mais quanto?

Interessante, não? Conflitos de interesse, o que é isso mesmo?

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

PARTE 2 - Quais indicadores fundamentalistas e de mercado mais importam


Encerrando a postagem anterior (com um pequeno atraso) sobre as pesquisas de Haugen, Baker, Rostagno e Kloeckner sobre quais indicadores fundamentalistas mais importam, usarei essa postagem final para mostrar os resultados que obtive em minha pesquisa (para a conclusão do meu curso na USP).

Trabalhei com a seguinte amostra:

* 60 ações de 60 empresas diferentes que tiveram maior liquidez (volume de negociação) média nos últimos 10 anos.

* 18 diferentes setores da economia.

* Período de 120 meses analisados (o que resultou em um total de 120 regressões), de 2001 a 2010.

* 19 indicadores fundamentalistas e de mercado analisados.

* Nestas 120 regressões foram analisados 141360 pontos de dados.


Como é possível ver pelos dados acima, procurei trabalhar com um espaço amostral bastante grande quando comparado aos outros estudos (de fato, é o estudo com maior amostra já feita no Brasil utilizando essa abordagem, o que me valeu várias noites em claro).

Meu objetivo com uma amostra e um período tão grande foi obter um elevado grau de confiança estatística das conclusões que eu viesse a obter.

E quais foram estas conclusões, obtidas por meio das ferraentas estatísticas (regressões cross-section e testes t de student)?

1 - Os 19 fatores que foram abordados no estudo são responsaveis por 68,5% da variação de uma ação (Valor do R-Squared). Esse é o maior valor já obtido por um estudo com essa abordagem no Brasil, sendo superior a do trabalho de Rostagno.

2 - São 7 os fatores que tem um impacto significativo no retorno das ações. Abaixo eles estão por ordem de importância (significância estatística):

a) Volatilidade da Ação: Tem um payoff de 0,246 positivo. Volatilidades altas, portanto, favorecem maiores retornos. (Ok, isso pode parecer óbvio, mas pelo menos esse resultado específico serviu para corroborar o óbvio).

b) Dividend Yield: O Famoso indicador ficou no posto de segundo mais importante entre os 19 analisados, e tem um payoff positivo de 0.080. Ou Seja, ser bom pagador de dividendos no brasil favorece maiores retornos.

c) Margem de Lucro Líquido: Payoff positivo de 0.114. Uma margem de lucro líquido elevada da empresa ajuda os retornos da ação desta à serem maiores no trimestre seguinte. (Ok, isto também pode parecer óbvio... Mas continue vendo os outros resultados que estes não o serão tanto)

d) Preço da Ação: Payoff positivo de 0.070. Este resultado mostra que ações com valores de lote altos (exemplo: AMBV4) tendem a possuir retornos favoráveis em relação às penny stocks (aquelas ações que custam centavos). Talvez isso seja facilmente explicado pelo fato que, no Brasil, ações de centavos geralmente são de empresas moribundas.

e) Volume de Negociação divido pela Capitalização de Mercado: Esse indicador, não muito popular no Brasil, apresentou uma forte influência sobre o retorno das ações, com um payoff negativo de -0.072. Ou Seja, ações de empresas pequenas e com alto volume de negócios (tipo aqueles micos especulativos) tenderão a performar PIOR do que ações de empresas grandes e com baixo volume de negócios.

f) Retorno Excessivo sobre o Ibovespa nos últimos 6 meses: Payoff positivo de 0.125. Ações que tiveram nos 6 meses anteriores um retorno superior ao ibovespa, no mês seguinte apresentaram retornos superiores à média. Isso vai ao encontro do que Haugen definiu como "inércia" dos 6 meses.

g) Retorno Excessivo sobre o Ibovespa nos últimos 3 meses: Payoff negativo de -0.173. Ações que tiveram nos 3 meses anteriores um retorno superior ao ibovespa, no mês seguinte apresentaram retornos inferiores à média. Esse resultado é o mesmo encontrado por outros autores e definido como "reversão" em relação ao trimestre anterior.


E após a demonstração destes 7 indicadores, que se mostraram relevantes na influência no retorno das ações, a pergunta que surge é: e os outros 12 que você estudou?

Simples: os outros (PL, PVPA, Endividamento, Retorno do Ativo, Retorno sobre o Patrimônio, etc) não apresentaram significância estatística de seu impacto sobre os retornos. Falando de maneira simples: Não foi encontrada influência dos outros 12 indicadores no retorno das ações no mercado brasileiro.

Com os resultados obtidos neste trabalho, podemos "delinear" o que seria a ação perfeita: - Uma ação volátil, com um valor de lote caro (não dá para comprar com pouco dinheiro), de uma empresa grande e/ou não muito negociada em bolsa, com uma margem de lucro líquido elevada, que distribua elevados dividendos, e que nos últimos 3 meses tenha valorizado menos que o Ibovespa, embora nos últimos 6 meses tenha tido uma valorização elevada.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

O Que realmente importa em indicadores fundamentalistas?

Primeiramente, Feliz Ano Novo para todos!

Começo o ano com uma das postagens que estava esperando a tempos para publicar mas decidi aguardar em razão de deixar ela para inaugurar esse ano no Blog.

Ano passado entreguei meu trabalho na USP, depois de mais de 120 horas de pesquisa. E o tema foi, de forma simplificada, quais fatores realmente exercem influência sobre os retornos das ações no Ibovespa, tomando como espaço amostral os últimos 5 anos.

No exterior, o pioneiro nesse tipo de modelagem foi Robert Haugen, professor da Universidade do Illinois, que em um artigo no Journal of Financial Economics trouxe ao mundo um tipo de modelo chamado "Modelo de Fator de Retorno Esperado". Esse modelo basicamente consiste na montagem de portfólio levando em consideração tanto o grau em que dezenas de fatores (fundamentalistas, de mercado, etc) afetam uma ação como a exposição que essa ação possui à cada um dos fatores.

No Brasil, os primeiros a aplicarem o modelo de Haugen ao Ibovespa foram Luciano Rostagno e Gilberto Kloeckner, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Eles estudaram como 17 fatores afetaram70 ações durante os anos de 1995 a 1999. Alguns dos fatores estudados por eles foram:

  • Beta de Mercado
  • Capitalização de Mercado
  • Lucro / Preço
  • Dividendos / Preço
  • Retorno sobre o Patrimônio
  • Excesso de Retorno sobre o Ibovespa no Mês anterior


O que Rostagno e Kloeckner descobriram, por meio de ferramentas estatísticas e econométrias foi que carteiras de ações criadas levando em conta determinados fatores tinham um desempenho muito superior à carteiras criadas usando modelos mais comuns (E bastante ultrapassados) no mercado, como o APT.


No trabalho de Rostagno os 5 fatores que ele descobriu que mais afetam as ações no mercado brasileiro são, por ordem de importância:

  1. Capitalização de Mercado (Relação positiva, ou seja,maior capitalização tende a apresentar maiores retornos)
  2. Dividendos / Preço (Relação Negativa, empresas pagando altos dividendos possuem menor retorno, isso já levando em consideração ajustes-ex)
  3. Tendência do Volume de Negociação (Relação negativa. Empresas cujo volume de negócios vem aumentando tendem a apresentar retornos reduzidos.)
  4. Relação Fluxo de Caixa / Preço (Relação Negativa)
  5. Tendência dos Dividendos / Preço (Relação Positiva. Analisando conjuntamente com o fator 2, dá para afirmar que empresas que pagam poucos dividendos mas aumentam a quantidade paga gradativamente apresentam maiores retornos)


Agora falando da minha pesquisa:

Eu basicamente tentei fazer o que Rostagno e Kloeckner fizeram no que tangia a analisar quais fatores importam e o que eles afetam na hora de montar uma carteira de ações.

Porém procurei atingir uma significância estatística (precisão dos resultados) maior ainda, trabalhando com um espaço amostral de 10 anos (2001 a 2010) ao invés de 5 e com um tamanho de amostra razoável e diversificado (60 ações de 18 diferentes setores).

Alguns dos resultados que consegui foram semelhantes ao de Rostagno e Kloeckner. Outros, foram diferentes, e talvés até surpreendentes.


Estes, exporei na minha próxima postagem! E novamente, Feliz 2012!

sábado, 17 de dezembro de 2011

Por que ser tão clichê?


Depois de quase um mês sem postar nada (TCC consumindo a maior parte do meu tempo, mas felizmente valeu a pena. Concluído e indicado pelo orientador para premiação!), resolvi vir hoje aqui compartilhar algo que ainda me deixa pasmo com a falta de senso de algumas pessoas.


Sabe aquelas dinâmicas (e painéis, que no fundo são dinâmicas parte 2) que você participa quando concorre em programas de trainee?

A Maior parte delas coloca como tarefa uma apresentação rápida na frente de todos, onde você vai falar das suas experiências e características em alguns minutos. Até ai nada de anormal.

O Problema é que entre falar as características, você também fala de alguns defeitos. Eis que alguns candidatos, achando que é possível dizer no entrelinhas que eles não tem defeitos, vêm e dizem coisas como:

- Ah, meu principal defeito é ser muito perfeccionista sabe... Eu gosto de tudo certinho, bem arrumado, não descanso enquanto tudo não estiver OK.

ou então...

- Eu sou muito auto-crítico, sabe? Me cobro demais, sempre procuro buscar o melhor de mim, bla bla bla whiskas sachê.


WTF!

Era para você falar seus defeitos! Não para fazer malabarismo linguístico e falar de uma suposta qualidade travestida de defeito que você possivelmente viu em algum manual de "como se dar bem em trainees"!!! (geralmente escrito por um não-trainee que precisava de grana).


Aqueles examinadores que estão ouvindo isso já devem ter, só nesse ano, visto mais de uma centena de candidatos, destes quais vários falaram exatamente os MESMOS clichês citados acima. Para um sujeito que tenta usar um truque batido como este, resta alguma esperança? Tem horas, como esta, que compensa muito mais ser autêntico.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Por que não votarmos pra presidente da Sabesp também?


Primeiro, desculpem fugir do tema central do Blog, que é Negócios, Bizness e afins, mas como estudante da USP eu sinto minha mão formigar para escrever sobre algo que muitos estudantes vem falando ultimamente, e apresentar um outro ponto de reflexão.


A nova moda entre os estudantes da Universidade de São Paulo virou pedir eleições diretas para reitor, porque isso sim seria "Democrático".

Eles alegam que isso seria mais democrático na medida que, ao ser escolhido pelos estudantes e funcionários, o reitor escolhido poderia atender aos interesses destes.


Mas quem disse que a USP (e qualquer outra universidade pública) existe para atender aos interesses dos estudantes? Elas existem para atender aos interesses da sociedade, não de estudantes e funcionários! Ela, antes de tudo, é paga por toda sociedade, e não por estes!

Exigir eleições diretas para reitor na USP é tão sensato quanto os funcionários da Petrobrás passarem a exigir que eles elejam o presidente, e não que este seja indicado pelo Presidente do País e pelo Ministro das Minas e Energia (como é hoje).


Então o processo de eleição desse diretor é anti-democrático? De modo algum... Seria impossível toda a sociedade votar para determinar o diretor de cada autarquia federal e estadual. Logo, ela confia aos representantes democraticamente eleitos por ela, essa responsabilidade.

Por ter sido eleita pelo voto popular, a Dilma pode trocar o presidente e diretor (dentro do regulamento vigente de cada um) de qualquer orgão financiado pela União. Ela teve essa responsabilidade confiada pela sociedade brasileira à ela! Do mesmo modo, o governador do estado de SP teve essa responsabilidade delegada à ele pela sociedade paulista que o elegeu, oras.


A dúvida, o questionamento que eu mais gosto de fazer para o pessoal que defende eleições diretas para reitor (e muitos deles são calouros, que ainda não entederam o real motivo de algumas pessoas defenderem isso, e assim poderem colocar lá algum capacho de partido radical naipe PSTU e PSOL igual já fizeram nos orgãos com eleição direta na USP) é o seguinte:

1 - Vocês sabem de uma, isso mesmo, SOMENTE UMA universidade de ponta no MUNDO com eleições diretas para reitor? Fiquem à vontade para dizer nos comentários.


2 - Vocês acham mesmo que essa discussão foi iniciada por gente que quer alguma melhoria na universidade e não colocar na cadeira de reitor alguém que pode desviar MUITO dinheiro do orçamento de quase 4 bilhões pra alguns sindicatos e partidos políticos? Para quem acha que não tem partido político capitaneando tudo isso, dá só uma olhada na foto que eu postei no começo desse texto (em versão maior aqui: http://f.i.uol.com.br/fotografia/2011/11/08/98837-970x600-1.jpeg, e olha bem o canto direito, um papel colado na parede da reitoria invadida...


sexta-feira, 28 de outubro de 2011

As Companhias Aéreas mais Seguras do Mundo

A Revista Aero International, no começo deste ano, analisou os acidentes ocorridos nos últimos 30 anos, criou um índice ponderando com o número de voos de cada uma e rankeou 60 das maiores empresas aéreas do mundo.


Entre as mais seguras, com um índice de 0 (Sem acidentes desde 1980) ficaram empresas como Qantas, Air New Zealand, Finnair, TAP e algumas outras.


A Maior parte das empresas no topo do ranking são de países desenvolvidos, como podem ver acima (A Qantas é Australiana, Air New Zealand é Neozelandesa, Finnair é da Finlândia, e assim por diante).


Na parte de baixo, prevaleceram empresas de países emergentes ou em desenvolvimento (E que provavelmente possuem regras e fiscalização de segurança mais brandas), como Thai International Airways (Tailândia), Garuda Indonesia (Indonesia), Turkish Airlines (Turquia) e....


TAN TAN TAN

Gol e Tam. E Olha que foram posições de alto destaque, pior que todas as que eu citei anteriormente:

Gol ficou em antepenúltimo (58a lugar) e TAM em último (60a posição).

Mas sabemos que não dá pra responsabilizar somente as empresas pelos vários acidentes que ocorreram com as duas nas ultimas décadas.

A Infraero, por exemplo, com sua péssima administração dos aeroportos, tem uma boa parte de culpa no cartório.

Para quem quiser ver a tabela completa e maior, está disponível em: http://img407.imageshack.us/img407/4747/empresasareasmaisperigo.jpg

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

O Hot-dog de 69 dólares está lá para que você pague 20 dólares no Hamburguer

A Postagem abaixo, foi baseada em um artigo de outro blog, disponível em http://priceless-the-book.blogspot.com/2010/08/anchoring-is-back-meet-69-hot-dog.html




Em Nova Iorque há um restaurante chamado serendipity 3, em East Side, bastante famoso entre turistas que querem almoçar próximo de algumas celebridas que as vezes aparecem por lá. Recentemente, eles adicionaram em seu menu um novo item: um cachorro-quente que custa $69 dólares.

O Hotdog tenta justificar seu preço com algumas iguarias: ele tem entre seus recheios foie gras com trufas negras, tomates heirloom (se alguém souber o que são esses tomates, me explique por favor), mostarda de Dijon, entre outros.

Mas mais do que criar um novo prato para o menu (com uma combinação de ingredientes bem questionável entre os entendidos de culinária, diga-se de passagem, como foie gras e salsicha), o chef que fez este prato estava pensando em outras 2 importantes coisas:

1 - A Publicidade gratuíta que um sanduíche como este atraíria. De fato, a sua inclusão no menu fez com que o restaurante ganhasse várias páginas de jornais e revistas e até a inclusão no Guiness Book por possuir o cachorro-quente mais caro do mundo. Certamente alguém no mundo (de bom-senso duvidável) iria gostar de pedir algo em um restaurante que tivesse um título kitsch como este.

2 - Alavancagem da percepção do nível de "preço-justo", um fenômeno cognitivo descoberto pelos psicólogos Daniel Kahneman e Amos Tversky (os quais recomendo a leitura da obra fortemente).

Embora nós tenhamos pré-definições de quanto valem certas coisas, nós somos influenciados por outros números que observamos.

Imagine um casal que chega a este restaurante. Ao chegarem ao local, eles tentam estimar o quanto é razoável gastar nele. Muito provavelmente não vão comprar o cachorro quente de 69 dólares por este ser muito mais caro do que julgam razoável e podem pagar, porém após ver algo tão caro, ficam felizes ao ver que existe também lá um Cheeseburguer que custa somente $17,95.

O Valor do hotdog faz o preço do cheeseburger parecer razoável comparativamente, embora qualquer pessoa com cérebro saiba que esse é um valor rídiculamente alto à se pagar em praticamente qualquer outro lugar do mundo.

Essa estratégia corrobora a idéia de que o contraste de preços afeta o processo de decisão. E isso é algo bastante utilizado por restauranteurs no mundo todo.

O Serendipity 3 também possui um sundae de chocolate que custa $1000, e que deve ser encomendado com 48 horas de antecedência. É outro claro caso de alavancagem, para convencer os desavisados turistas que $22,50 por uma fatia de bolo de queijo não é algo caro. O restaurante, ao adicionar isso ao menu, deseja apenas os 2 pontos citados acima. Eles não querem ganhar vendendo o sorvete, até porque sabem que algum bilionário no mundo planeje tomar um sundae com 2 dias de antecedência.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

E a TV te ensina como a perder dinheiro.

O SBT recentemente exibiu uma reportagem com uma figura que, conforme exibido pelos jornalistas daquela emissora, provavelmente irá fazer os maiores hedge-fund managers do mundo passarem inveja em pouco tempo.

A Personagem em questão é Dona Helena, uma dona de casa que depositou todas as economias (!!!) da família na Bolsa de Valores (30 Mil Reais) e após perder 46% do patrimônio (14 mil reais), fez um curso rápido e agora ganha em média 5 mil reais por mês na Bolsa! No gigantesco período deeeeeeee.... 2 meses.

Isso mesmo: A Reportagem procura transformar em mito uma senhora que até hoje não recuperou o patrimônio inicial investido e que ganhou percentuais elevados em 2 meses, o que não diz absolutamente nada, já que é um tempo muito pequeno para se avaliar algo.

Fico imaginando o quantidade de pessoas pouco informadas que ao verem um vídeo

Listo abaixo alguns erros e desinformações grotescas da reportagem:

1 - A Dona Helena diz que no começo tirava 2 mil reais por mês da bolsa. A Bolsa de valores não serve e nunca serviu para obtenção de renda mensal, ainda mais para quantidades pequenas. Como o retorno não é constante, muitos iniciantes caem no erro de, quando ganham, retiram o lucro, e quando perdem (e isso vai acontecer), vêem seu capital ser reduzido, perdem sua "fonte de renda" e ainda tem sua capacidade de recuperar o investimento destruida. A Bolsa, ao invés de fonte de renda mensal, deve ser tratada como investimento de longo prazo para construção de patrimônio.

2 - A Dona Helena fica o dia todo no escritório da corretora, fazendo operações. Mas pera aê, com 30 Mil reais? Com um montante destes, e fazendo um número excesso de operações, provavelmente ela paga um volume considerável em taxas de corretagem (alguém ai já pensou na possibilidade da corretora dela criar aquela sala justamente para a cliente se destruir pagando todos estes custos com o excesso de operações?). Enquanto se está ganhando alguma coisa, ela possivelmente ignora, erroneamente, estes custos. Porém quando perder - e ela já perdeu uma vez- ela irá ver o quanto que o número excessivo de operações foi danoso para o patrimônio dela (e lucrativo para a corretora, que ganha as corretagens mesmo com ela perdendo, o que também não é injusto).

3 - Se a Dona Helena, nestes 2 meses que a transformaram em "mito", ganhou 5 mil reais por mês com os 16 mil que haviam sobrado dos 30 mil reais dela, ela, mesmo que não tenha resgatado nada, ainda não recuperou o montante inicial, pois tem agora 26 mil reais. Como o SBT pode afirmar que ela está se dando muito bem assim?

4 - E a reportagem dá a entender que esse ganho de 5 mil reais por mês com apenas 16 mil reais é algo que qualquer um pode ganhar quando quiser. Oras, isso representa uma rentabilidade de 31,25% ao mês. Os maiores gestores de fundos de hedge do mundo (John Paulson, Simmons, George Soros, etc) tem uma rentabilidade média (não ao longo dos últimos 2 meses, mas sim ao longo das últimas décadas) de algo em torno de 3% ao mês. A Dona Helena seria mais de 10 vezes melhor que esses homens que ganham bilhões para gerir fortunas.

Só que eu chuto que a Dona Helena, para ganhar tanto em tão pouco tempo, provavelmente cometeu o erro que muitos que apresentam perdas na Bolsa de Valores fazem: Alavancam de maneira estúpida ou passam a usar derivativos (como opções) de maneira irresponsável. Se você tiver sorte, pode ganhar bastante. Mas no primeiro momento que a sorte acabar, você PERDE TUDO. GAME OVER. E uma hora a sorte acaba.

E Claro que estas operações são incentivadas por alguns destes assessores financeiros (não me refiro aos que são apresentados na reportagem, que na verdade são de uma corretora, porque não os conheco) que pipocam no mercado. Alguns sim dão boas informações, porém para outros vale ficar com o pé atrás.

Até porque ninguém vai chamar a TV para filmar os vários que quebram e perdem todas suas economias brincando com instrumentos de risco no mercado de capitais diariamente. E caso isso aconteça com Dona Helena (espero que não), provavelmente ninguém vai lembrar também.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

A Diferença entre um Climatologista e um Profissional do Mercado de Capitais

Quando os climatologistas do IPCC (Painel de pesquisa da ONU sobre mudanças climáticas) falam sobre mudanças climáticas, eles sempre utilizam expressões como "improvável", "provável" ou "bastante provável".

Essas são as mesmas expressões que você sempre vê aquele analista de mercado ou o seu corretor de ações falarem, certo?

Porém o que poucos percebem é que existe uma diferença significante entre o que é considerado "provável" para um climatologista e para um analista de sell-side, broker ou alguém que precisa convencer outrém.

Abaixo fiz uma tabela que compara a escala de probabilidade das palavras para um cientista do IPCC (tirado de http://www.ipcc.ch/pdf/supporting-material/uncertainty-guidance-note.pdf) e para um ser do mercado financeiro (tirado das minhas observações de N! relatórios e entrevistas de "entendidos" do mercado):












Agora é só lembrar disto quando um dia você estiver descendo a serra para ir
pra praia com seu amigo broker e ele disser que é praticamente certo que os freios
do carro estão Ok.

Porque tanto o climatologista quanto o profissional de ações lidam com algo com
MUITA incerteza... Porém pelo que observei até hoje, estes últimos costumam
subestimar um pouco o quão incertas são as coisas.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Sem Explicações tão rápidas.. E olha só o PMI da zona do Euro

Em uma coluna publicada em julho pelo quase-sempre brilhante Stephen Kanitz, um trecho me chamou bastante atenção:

"O ser humano quer ter uma explicação rápida aos fenômenos que não entendem.

Ninguém quer ficar na dúvida, todos nós precisamos avaliar rapidamente situações 'estranhas'."

Kanitz escreveu esse trecho ao falar sobre o simplismo das respostas que o jornalismo econômico busca fornecer para os complexos problemas financeiros existentes.

Frases como "Tudo isso está acontecendo por causa de X" ou então "A solução para isto é somente fazer Y" quase sempre são produtos de uma simplificação exagera e patética da intrincada situação dos mercados mundiais.


A última modinha é falar que "A Culpa é de Wall Street". Quer coisa mais vaga e obtusa do que isto? A Culpa é de quem? Dos banqueiros? Dos corretores? Dos moradores da rua Wall ou dos encanadores dos prédios que ficam lá?

O Homem não gosta de ficar em dúvida. Porém neste caso, ficar em dúvida e refutar justificativas simples ajuda a pensar melhor no assunto.


O gráfico acima mostra a evolução do PMI da zona do Euro (Indicador do ambiente de negócios feito pela consultoria global Markit e bastante acompanhado pelas instituições financeiras) e compara com o PIB da mesma região. Este índice costuma antecipar, de certa forma, a evolução do produto interno bruto dos países, como é possível constatar também pelo gráfico.

Na última semana foi divulgado o PMI da Eurozone no último trimestre, apresentando uma queda vertiginosa e tão acentuada quanto as ocorridas durante a crise de 2008.

O Que nos espera para as próximas divulgações de PIB? Acredito que se manter muito otimista em um cenário como este é pedir pra ser pego de calças curtas (ou até mesmo sem calças).

Só sei que aos poucos, as respostas e soluções simplistas vão caindo por terra conforme até mesmo os jornalistas passam a perceber que o problema é bem, bem mais complexo do que parece ser quando visto superficialmente.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Percepção de valor do dinheiro por uma criança (OU por um ministro grego).


Quando criança (lá pelos menos 7 anos), quando ainda morava em Bebedouro, meus pais as vezes traziam eu e minha irmã para passear aos domingos aqui em Ribeirão Preto. No Ribeirão Shopping havia um parque de brinquedos semi-eletrônicos (substituídos depois por esses eletrônicos modernos) chamado "Divertilândia".

Um dos preferidos de mim e da minha irmã era um que era uma mesa com alguns buracos, e algumas "baratas" saiam de dentro desse buraco, e você tinha que acertá-las com a mão (ou sei lá qual artefato a pessoa quisesse usar).

Quanto mais você acertava as baratas com a mão, mais bilhetes saiam na lateral do brinquedo, que depois poderiam ser trocados por brindes na loja da Divertilândia. O Mesmo valia para o brinquedo em que surgiam alvos e você tinha que acertá-los com uma pistola de água.


Para usar cada brinquedo, se pagava na época algo em torno de 2 reais. A Quantidade de bilhetes emitidos após jogar uma vez, com uma boa perfomance, era o suficiente para trocar por um lápis. Se você jogasse duas vezes, poderia até pegar uma caneta.

Imagino o que meus pais pensavam quando eu ia lá, com todo orgulho, trocar os bilhetes que havia ganhado após jogar 2 vezes (4 reais gastos) por uma caneta que valia 50 centavos...

Mas claro, como eram meus pais que pagavam pra eu jogar no brinquedo, eu não percebia que aquilo era um péssimo negócio (eles nem eram tão divertidos, e davam um cansaço enorme, a gente só jogava mesmo porque achava que "ganhava" algo).

Afinal, quando não é você que paga a conta, qualquer coisa que vier para você é lucro, certo? Você pode agir com a responsabilidade de uma criança se vai ter alguém pra te bancar!!!


Essa historinha acima, à mon avis, serve muito bem para todos aqueles que acham lindo quando Alemanha, França e afins concedem generosos pacotes de ajuda para a galerinha que tá no Serasa (Grécia, Portugal, etc).


Se eles estão na situação que estão, é porque não tiveram muita responsabilidade com o PRÓPRIO dinheiro. Como podem esperar que vão ser ainda mais responsáveis com o dinheiro dos outros?

Certo estão os contribuintes alemães que reclamam dos consecutivos pacotes de dinheiro público (deles) desperdiçados em compras de títulos do governo grego só para ajudar os helênicos.



quinta-feira, 22 de setembro de 2011

E o Governo aumenta (novamente) o IPI... Mudem as justificativas pelo menos!




E o Governo aumenta de novo o IPI, dessa vez para carros importados e outros produtos (Até bicletas!).


Justificativa do Governo?

“O aumento das importações está reduzindo a competitividade da indústria nacional”. (Exame Online, 22/09/2011)

Quem tem lá seus 30 anos deve lembrar bastante dos governos da década de 80 mantendo pesadas barreiras à importação alegando a mesma coisa, que era a defesa da indústria nacional.

Mas oras, para a indústria se desenvolver, primeiro precisa de investimento (e desoneração de quem deseja investir) em ciência e tecnologia. Tecnologia não surge de maneira etérea com o aumento dos impostos.

Devido à utilização dessa mesma justificativa há 3 décadas atrás que os Brasileiros tinham de usar os "modernos" computadores Cobra, fabricados no Brasil na época, porque era quase impossível importar computadores decentes e pesadamente tarifados.

E por não termos computadores decentes, já que deveríamos apenas usar os nacionais, houve um grande atraso no desenvolvimento de toda nossa indústria tecnológica.


Será que é isso que o governo quer mesmo?

Ou então eles deveriam parar com essa justificativa fajuta (e errada) de "proteger" a indústria e falar o real motivo do aumento dos impostos (Aumenta a arrecadação*).


* - Embora esta justificativa também esteja errada em boa parte dos casos, já que no Brasil os impostos já são tão altos, que quando se aumenta ainda mais suas alíquotas, você reduz a arrecadação porque reduz o consumo. Conceito básico de Curva de Laffer, das aulinhas de economia.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Mania de Exclusividade Exagerada

Desculpem pelo off-topic fugindo um pouco dos assuntos de mercado, mas cada vez mais eu fico espantado com a mania de exclusividade em alguns lugares, principalmente aqui em Ribeirão Preto.

Mais importante do que tudo parece ser passar a imagem de que você tá torrando rios de dinheiro com uma relação custo-benefício ridicula (o que para alguns parece glamouroso, mas pra mim parece somente irracional, para não dizer idiota).

Claro que não é má idéia ir de camarote quando ele oferece algo a mais, porém em alguns casos, a diferença não é quase nada pelo preço muito maior. O único "benefício" é a sensação de estar isolado (Han?)

O Desenho abaixo que eu fiz reflete bem minha impressão de uma dessas novas festas ribeirão-pretanas (mas acho que se aplica a muitas outras pelo Brasil):



terça-feira, 13 de setembro de 2011

A Crise de 2008 em algum momento chegou a acabar?

Para responder a pergunta do título dessa postagem, primeiro precisamos definir quando uma crise pode ser considerada superada.

  • Na Concepção de alguns, uma crise financeira termina quando a situação econômica para de se deteriorar.

  • Na concepção de outros, a crise termina quando as perdas são superadas. Por exemplo, quando os empregos perdidos e a renda diminuída são recuperadas e tudo volta a situação inicial.


In my humble opinion, a segunda definição é a mais adequada.



O Infográfico acima mostra a evolução da criação/perda de empregos dos EUA.

Alguém vê as vagas perdidas nos assustadores anos de 2007 e 2008 recriadas depois?

Alguém ouviu falar de criações recordes de emprego nos EUA?

E como esse pessoal está se sustentando de lá pra cá?

Talvez as respostas para essas questões ajudem a explicar um pouco a baixa no consumo dos EUA e os problemas enfrentados recentemente.


terça-feira, 6 de setembro de 2011

Bingo do Analista

Você sempre quis ser um analista mas não acha que tem capacidade para tal? Acredita que a prova do CNPI seria muito difícil para você?


Seus problemas acabaram! (MESMO!) APRENDA AGORA MESMO A ARTE DE DIZER MUITO PARA NÃO DIZER NADA!


Fale como um grande analista de sucesso com a ferramenta abaixo! Fora ser excelente para a montagem de discurso picareta, ainda serve como um verdadeiro jogo para disputar com seus amigos enquanto ouve o analista da sua corretora!


Alguns depoimentos de quem usou:

- “Em 10 minutos ouvindo o analista gráfico da minha corretora, 3 pessoas gritaram bingo!”

- “Depois que comecei a usar o bingo do analista para conversar com meus amigos, várias pessoas passaram a me pedir dicas de ações lá na faculdade!”

- “Consegui inúmeros investidores para o meu trade-system de forex usando o bingo do analista para conversar com desconhecidos!”